Uma cadeira de direção de cinema com a logo da OTW e as palavras OTW Guest Post

Guest Post para a OTW: Júlia Dariva

A cada mês, a OTW (Organização para Obras Transformativas) publica nas nossas páginas de notícias um post escrito por uma pessoa convidada para apresentar uma perspectiva externa sobre a OTW ou outros aspectos do fandom. Esses posts expressam exclusivamente a opinião individual de quem os criou e não expressam necessariamente a visão ou as diretrizes da OTW.

Júlia Dariva é graduanda no curso de Letras Inglês na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Atualmente em seu terceiro ano como bolsista de pesquisa, seus interesses têm como foco as intersecções entre obras de fãs, Teoria Queer e Linguística. Nesse texto, Júlia fala sobre seu artigo na edição n.º 35 da Transformative Works and Cultures – TWC (Obras e Culturas Transformativas).

Como você ouviu falar de fandom e obras criadas por fãs?

Eu não tenho certeza se isso era algo que existia fora do Brasil também, mas quando eu era uma pré-adolescente no final dos anos 2000, nós usávamos uma rede social chamada Orkut, que funcionava mais ou menos como o Facebook, eu acho, no sentido de que você tinha que criar um perfil para interagir com amigos e participar em comunidades. Havia comunidades para todos os tipos de coisas – desde "Detesto erros de digitassão" até "Eu nunca morri na minha vida" e "Eu nunca terminei uma borracha", esse tipo de coisa – e as comunidades de que você fazia parte apareciam no canto inferior do seu perfil, então o que você escolhia fazer parte era uma forma de se descrever pros seus amigos.

Entre as comunidades das quais você poderia participar, muitas eram dedicadas à discussão sobre diferentes personagens, programas de televisão, celebridades, etc. Nessas, o pessoal participava em atividades de fãs como escrever meta, compartilhar suas edições de vídeos, role-playing e escrever fan fic, por exemplo. Havia comunidades dedicadas à escrita de fan fiction em geral também, onde você encontraria vários fandoms diferentes no mesmo lugar.

Embora alguns autores de fan fiction postassem seus trabalhos a partir dos seus perfis da vida real, acredito que a maioria de nós interagia nessas comunidades por meio do que a gente costumava chamar de "fakes", que eram basicamente perfis de RPG feitos de nomes aleatórios e fotos de personagens e / ou celebridades diferentes.
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